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O ritual e torra: técnica e paciência no Manifesto Café

Foto do escritor: Roy Schulenburg
Roy Schulenburg
7 de out.
2 min de leitura

Atualizado: 8 de out.


Antes de qualquer faísca ou ruído de exaustor, o Rafael colocou a chaleira para aquecer. O trabalho ali não começa no fogo. Começa na xícara.



Ele escolheu a Koar para abrir a manhã. Enquanto a água encontrava o pó fresco, começou a dissecar o método com calma e precisão. Explicou como a geometria de fundo plano e os três pequenos furos conduzem o fluxo, garantindo uma extração uniforme. Falou sobre a acidez limpa, a preservação da doçura e a sensibilidade que o café exige em cada segundo de contato com a água.



Sentamos, bebemos e conversamos sem pressa.



Esse momento revelou a lógica por trás de tudo o que viria a seguir. O Rafael não opera o torrador só seguindo gráficos em uma tela, ele torra com a referência viva do café e a dedicação do trabalho que está fazendo. A atenção posta na balança ao passar o café é a mesma concentração que ele leva para o controle da chama.




Um pouco depois o torrador ganhou vida. O grão verde entrou no tambor, o ar mudou de densidade e o cheiro vegetal deu lugar aos primeiros estalos do grão se transformando.



O Rafael acompanhou cada variação de temperatura, retirando amostras visuais a intervalos regulares, atento a cada detalhe sutil da curva.



Um grão bem cuidado sempre entrega uma bebida honesta. Mas quando você acompanha de perto a paciência, a técnica e a atenção dedicadas a cada etapa, o café ganha outra dimensão. Entender o caminho percorrido muda o sabor daquilo que chega à xícara.





No final as fotos são só uma desculpa para uma boa conversa, e aqui um bom café também ☕️




As fotos aqui foram feitas com três filmes e três câmeras diferentes. Os coloridos são o Kodak Portra 400, com reprodução bem fiel dos tons de pele e grão bem fino. Outro colorido foi o Lab 800, do Lab Lab, com cores bem vivas e nitidez bem boa. O preto e branco é o CineStill XX, que é o Kodak Double X numa bobina de CineStill, que sempre uso empurrando pra ISO 800 e revelado pelo Rodrigo Madruga. A revelação dos filmes coloridos foi feita pelo Lab Lab.

 
 
 

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