Barcelona em Grãos
- Roy Schulenburg
- 26 de mar.
- 2 min de leitura

Barcelona não se deixa capturar facilmente por lentes comuns. Para mim, a cidade pedia a imperfeição orgânica do filme e a incerteza do clique analógico. Ela vibra em uma frequência própria, onde o caos não é desordem, mas uma harmonia teimosa que insiste em se manifestar em cada esquina.


Ao caminhar por suas ruas, da para perceber que as cores aqui não são passivas. Elas disputam o espaço com a luz do Mediterrâneo e as formas do Modernismo Catalão, em um duelo constante que satura o olhar e aquece nos dias de chuva por lá.




A cidade se move em um ritmo próprio. É como se estivéssemos assistindo a um mosaico se formando em tempo real: peças de cerâmica quebrada, passos apressados nas Ramblas e o eco de conversas em catalão. Tudo tem muita emoção, é vivo e perfeitamente encaixado.



Em Barcelona, o excesso é a regra, mas um excesso generoso, feito de curvas que desafiam a gravidade e de uma história que não fica só nos museus e se espalha pelas calçadas e pelas ruas de lá.


Tinha algo na luz desta cidade que o sensor eletrônico raramente alcança. É um brilho que "estala" no céu e faz o vermelho das fachadas respirar. Nas sombras das ruelas, a luz se esconde para reaparecer, dourada e pesada, sobre cada pedra e cada construção.



Fotografar Barcelona em analógico é tentar prender esse fôlego. O grão da película abraça a textura das paredes e a suavidade das ondas, criando uma camada de nostalgia sobre o presente que ainda acontece.




A energia é de um coração que não para, é um organismo que se alimenta de sol e se expressa em pigmentos. Cada pedacinho da cidade parece estar exatamente onde deveria, compondo uma obra que nunca termina de ser pintada.

As fotos aqui fazem parte de um projeto que incluiu viajar por cinco cidades e registrar essa passagem com fotografia analógica. Chamo esse projeto de 5 Vértices: cada cidade foi um ponto que duas linhas se encontraram, desenhando um mapa que as fotos torna visível. Para cada cidade foi escolhido um filme, com cores e grão específicos, para tentar transmitir mais o que eu passei por cada um desses locais.
Essas aqui é a parte dois dos 5 Vértices: Barcelona. Para cidade eu escolhi o CineStill 400D, uma película que nasceu para os rolos de cinema e ajustada para a luz do dia. Com ISO 400, consegui mais liberdade para transitar entre as sombras, os dias de chuva e o brilho intenso da sol, sem perder o detalhe. Curto muito o halation nesse filme: nos pontos de luz mais fortes surge um halo avermelhado, transformando a realidade urbana em um frame de filme.Não apenas documenta a cor, mas interpreta a atmosfera com uma nitidez fina e uma paleta de cores equilibrada, ideal para quem busca uma estética bem característica sem abrir mão do grão orgânico.



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